terça-feira, 16 de outubro de 2007

Sobre o Ego do Poeta

Luz: Um bom poema acontece somente coma junção de dois elementos: O senso crítico da inspiração, e a vontade do poeta de escrever. Pela cabeça de um poeta, passam várias inspirações durante os dias, porque tudo o que os seus sentidos puderem captar, é poesia. Em contraponto, todo poeta tem suas fases, mas os ensejos dessa lua nem sempre interferem nas estações de todas as inspirações diárias, porque a descarga de um sentimento no papel sacia sua vontade: é uma satisfação espiritual necessária a um poeta, é um instante orgástico fugaz para um mínimo de bem estar existencial – sobretudo consigo mesmo.
O recesso de criação se dá quando as motivações diárias não passam pelo crivo do senso critico da inspiração, e o poeta nem sente demais, nem deixa de sentir, mas pra ele a vontade simplesmente não importa.
As inspirações o atormentam, porque o mundo é sentimento, e ele é portador do mal das fôrmas: é quando a vida perde a graça se ele não consegue comprimir o máximo do que sente nas formas das palavras que escolhe para que tenha o mínimo do sentimento que deseja passar no que escreveu, para que seja digna de pelo menos ser guardada, e não relegada ao esquecimento – é a sua forma de participar do mundo, caso contrario não é ninguém. Quando isso acontece, o poeta se torna uma frustração ambulante, que dança claudicante em rotineiras abstinências.
“Andando sempre iguais, prum lado, pro outro, pra frente e pra trás”, assim, imaturo, tonto como em ciranda de criança, anda em círculos. Sabe não ser comum, pois a necessidade de ser devorado o faz menor mas é privilégio de poucos; nunca anda simplesmente reto, precisa do novo.
Até que algo sai de um recinto sacrossanto de si, que de tão imaculado é idôneo e não tem religião, faz o poeta se sentir com a vitalidade da inocência, e com a leveza do cansaço pede uma pausa na brincadeira de existir e para se sentir vivo, se põe a escrever.
É necessário que se saiba e ideal que se sinta esta compreensão, e somente assim um poema transcende os olhos: toca.
O único sintoma de compreensão é quando se sente cores que preenchem e fazem esboçar sorrisos incompreensíveis, que se dá com a boca da alma e que revela uma delicada forma de gratidão.
Eis o único motivo que leva um poeta a escrever: toda vontade é egocêntrica.

George Wandega

9:42 am 10/09/2007 (no ônibus – Linha Verde)

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