terça-feira, 16 de outubro de 2007

Natureza X Deus

Luz: Sempre quando desenho me pergunto como a natureza fez para se desenvolver, ficar com detalhes tão pequenos e peculiares para ser tão bela. E nessa hora apenas me remeto a deus. Creio piamente – não cegamente – na natureza e no seu desenvolvimento solo, mas é como se necessitasse de um referencial além-humano e com mãos.
Não é preciso ser de credo nenhum para ter ouvido a afirmação “deus criou o homem à sua imagem e semelhança”, ou foi egocêntrico em nos piorar um pouquinho e se tornou deus, ou é digno da benevolência que sempre nos concede, pois é tão errante quanto nós, e isso então explica o que insistimos em blasfemar como catastróficas injustiças, é que errar é divino.
Mas como precisamos de bons exemplos como referencial do que devemos ser, devotamos nele a imagem da perfeição. Então passamos uma vida de culpa, concertando erros e buscando ser bons para nos acontecer o bem, e não somente pela vontade de ser de fazê-lo. E já que maturidade é se impor frustrações a curto prazo para satisfações a longo prazo, esperamos a recompensa: um olimpo onde podemos finalmente exercer somente as nossas qualidades, porque temos lá a consciência que não conseguimos desenvolver aqui.
A natureza não precisa ser perfeita, por isso, até quando erra, é bela. Nela não se é bom, se vive bem porque na ausência de qualquer esperança existe asa. E se o dia nublar quando os dias não mais existirem, me tornarei terra para o útero da mãe do verde.
Sentindo assim, sou cada bicho que sai da ponta de qualquer coisa que risque, devoto de minha natureza humana, pois não busco mais saber se deus criou a natureza, ou a natureza criou deus...

George Wandega
9:46 am 04/10/2007 (em casa - SSA)
* ao som de The Cranberries

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