Luz: Aquilo que os filhos quando cedo não entendem, e quando tarde procuram, é um sentimento vermelho e rosa que ao mesmo tempo em que se misturam, permanecem ímpares na matemática de um sentimento abobalhado de quando vem o filho correndo, e se reconhece as batidas coronárias nas pontas dos pés degustando a melodia no som de cada passo, de cada tom da risada gostosa que rasga com a solitude de um azul profundo; o tom de um cuidado carinhoso para que não caia e o desejo do melhor. Uma vontade que assalta de chofre a todos os órgãos do ser, de beijar, abraçar e dizer que ama, já meio que com uma subjetiva e pretensiosa cobrança de ter o carinho retribuído, mas com a compreensão resignada de quem já teve a mesma idade das marés.
O filho não entende, às vezes até foge, e os pais ficam com aquele olhar de navio à deriva vendo o cais se afastando. Algo que traz uma vontade de pureza, simplória e bucólica, em tons pastel, que só consigo definir como uma “solidão de ser criança”.
Quando à tarde da vida nos tornamos pais, entendemos finalmente qual é a cor do laço em que nossos pais disseram que sempre estivemos amarrados, aí tentamos, como nossos pais, amarrar as crianças que enxergam um mundo apenas cor de rosa...
George Wandega
2:37 pm 25/07/2007 (em casa - Imbassaí)
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