
Luz: Meu amor é tão puro – sem querer ser petulante nem usar de falsa modéstia – que me faz ser sempre bruto com os que mais me amam; quem ama cuida. E esta, quiçá, é a única forma de protegê-los de mim. Por isso, pássaro, lhes sentencio à distância, também porque necessito ver de longe, como quem aprecia uma obra de arte para um melhor alcance de sua compreensão mais de perto e forma de libertar.
Quando algo envolve cobranças, passa para o campo dos relacionamentos - materno, fraterno, conjugal; inefável. Eis o mais absurdo dos erros: amor não é um sentimento, é um estado de espírito que não se explica, se chega ao. Por isso toda e qualquer palavra se faz insuficiente quando se fala nele, e acaba-se quase sempre eivado em pieguice.
Há de certo que nem toda cobrança é grade, mas nem todo carinho é compaixão. Então, só o faço quando realmente sinto a necessidade de fazê-lo. O carinho é o tato do amor, por isso quando feito da forma errada, machuca. Mas é também a mais volúvel das expressões de afeto, o michê dos sentidos, por isso nem sempre significa sentimento – quem dirá um estado de nirvana.
Carinho, todavia, vai além dos limites do físico, mas relacionamos quase sempre o amor ao tato, e fazemos amor como ato de carinho.
Amar enquanto doutrina, transcende a ética porque não cabe nos parâmetros da moral, ultrapassa o que é humano porque é essência divinha: é uma forma de catarse. É por isso condeno os que amo à liberdade...
George Wandega
3:56 am 18/10/2007 (casa de meu pai)
* ao som do silêncio




