quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Os pássaros também amam



Luz: Meu amor é tão puro – sem querer ser petulante nem usar de falsa modéstia – que me faz ser sempre bruto com os que mais me amam; quem ama cuida. E esta, quiçá, é a única forma de protegê-los de mim. Por isso, pássaro, lhes sentencio à distância, também porque necessito ver de longe, como quem aprecia uma obra de arte para um melhor alcance de sua compreensão mais de perto e forma de libertar.

Quando algo envolve cobranças, passa para o campo dos relacionamentos - materno, fraterno, conjugal; inefável. Eis o mais absurdo dos erros: amor não é um sentimento, é um estado de espírito que não se explica, se chega ao. Por isso toda e qualquer palavra se faz insuficiente quando se fala nele, e acaba-se quase sempre eivado em pieguice.

Há de certo que nem toda cobrança é grade, mas nem todo carinho é compaixão. Então, só o faço quando realmente sinto a necessidade de fazê-lo. O carinho é o tato do amor, por isso quando feito da forma errada, machuca. Mas é também a mais volúvel das expressões de afeto, o michê dos sentidos, por isso nem sempre significa sentimento – quem dirá um estado de nirvana.

Carinho, todavia, vai além dos limites do físico, mas relacionamos quase sempre o amor ao tato, e fazemos amor como ato de carinho.

Amar enquanto doutrina, transcende a ética porque não cabe nos parâmetros da moral, ultrapassa o que é humano porque é essência divinha: é uma forma de catarse. É por isso condeno os que amo à liberdade...

George Wandega
3:56 am 18/10/2007 (casa de meu pai)
* ao som do silêncio


Melancolia




Quando ficou escuro

ouvi o sol raiar

e o som nasceu quadrado...




George Wandega

8:36 pm 17/10/2007 (Facitec - DF)

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Raiva




Luz: A raiva não é um sentimento, é uma característica do ser humano que habita as qualidades voláteis, e pelo fato de ser tão sutil, se consome rápido.
É uma calma sem dente, que pela fome que sente, se alia a alguns sentimentos para se fazer instrumento e caçar a presa certa.
Mas a existência é muito curta para se sentir raiva. Viver a raiva, é senti-la em sua vertente mais sábia, é discernir a sua direção, não para algo que não seja necessário dentes, pois isso é ludibriar o espírito. É apenas saber que não é hora de se alimentar com desejos lascivos para não dar cor às asas dos sentimentos mais ardentes, por que tudo que é chama um dia foi eterno e virou cinza.

George Wandega
12:42 pm 12/10/2007 (No Hospital Anchieta - DF)
* para o porteiro

(sem título)




Quando eu rouco
Você doce
Quando eu lobo
Você monte
Quando eu uivo
Você curte
Quando eu erro
Você surge
E quando o efeito surte
Fazemos parte da mesma música.

George Wandega
À noite 05/10/2007 (UFBA)
* ao som de Lobão

Inquisição



Qual é a pior fogueira,
Amar
Ou ser amado?
Não há muita escolha
Quando se está amarrado
À certeza
De ao amor estar condenado...

George Wandega
À noite 05/10/2007 (UFBA)

* ao som de Marisa Monte

Semente alada




É que cabeça de passarinho é assim
Pensamento tem asa
E mundo não acaba
Se tem lugar pra voar

Coração não tem raiz
E só deixa raízes
Porque as sementes que carrega
Estão prestes a frutificar...

George Wandega
9: 12 am 06/10/2007 (em casa - SSA)

Invisível transformação

Vê a hora?
Só dormem
Quando você acorda
Tem um “Q” de pensamento tolo
E uma qualidade de imaginação simplória
É invisível agora
Ninguém sabe
Onde esse lugar mora
Só se sabe
Que à luz da aurora
Às margens dos olhos fechados
Tudo se transforma...

George Wandega
8:02 am 05/10/2007 (em casa – SSA)
* ao som de Gabriel o Pensador